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Buraco negro excepcional descoberto na Via Láctea

Os pesquisadores de Heidelberg desempenharam um papel importante na avaliação dos dados do observatório espacial de Gaia

A apenas 2.000 anos-luz da Terra existe um buraco negro com aproximadamente 33 vezes a massa do Sol. O objeto conhecido como Gaia BH3 – o buraco negro mais massivo já descoberto na Via Láctea – foi detectado com a ajuda do observatório espacial Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA). Pesquisadores do Centro de Astronomia da Universidade de Heidelberg (ZAH) estiveram crucialmente envolvidos na análise dos dados. Até agora, buracos negros deste tipo eram observados apenas em galáxias muito distantes. Com a descoberta deste “gigante adormecido” na constelação da Águia, os cientistas esperam aprender mais sobre como estas estrelas massivas se formam e evoluem.

“Tal como inúmeros resultados anteriores, esta descoberta é outra recompensa espectacular de vinte anos de trabalho árduo na análise de dados de Gaia,” afirma o Dr. Michael Biermann, que dirige a avaliação de dados astrométricos no Instituto de Computação Astronómica de Ruperto Carola. Quase 90 investigadores estão envolvidos neste trabalho no ZAH, tornando-o o maior departamento do consórcio de processamento de dados de Gaia. É responsável por toda a cadeia de processamento, desde os dados brutos do satélite até as posições, movimentos e distâncias das estrelas dele derivadas.

A descoberta atual baseou-se em medições ultraprecisas ao longo de um período de cinco anos, durante os quais os investigadores participantes tomaram conhecimento de uma estrela com uma posição ligeiramente flutuante. Esta oscilação é causada por um objeto invisível que a estrela orbita a cada doze anos. Como explica o Dr. Biermann, este objeto é um buraco negro “adormecido”. Sem uma estrela vizinha da qual possa sugar matéria, não gera qualquer luz, tornando-a muito difícil de detectar. O buraco negro invulgarmente grande formou-se há milhares de milhões de anos a partir de uma única explosão de supernova e não da fusão de buracos negros menos massivos, segundo o investigador.

“As consequências científicas da descoberta só se tornarão aparentes no decorrer dos próximos anos. Muitos telescópios e instrumentos de medição irão agora concentrar-se neste objeto, a fim de estudar as propriedades e o comportamento de um buraco negro tão massivo de perto, pela primeira vez.” tempo”, explica o Dr. Ulrich Bastian, que esteve diretamente envolvido no artigo sobre Gaia BH3 publicado em “Astronomy & Astrophysics”. De acordo com o investigador do ZAH, esta descoberta ofereceu a prova de que mesmo buracos negros “adormecidos” e, portanto, invisíveis, podem ser detectados desde que emparelhem com uma estrela.

P. Panuzzo et al.: Descoberta de um buraco negro dormente de 33 massas solares na astrometria Gaia de pré-lançamento, Gaia Collaboration, Astronomy & Astrophysics, 2024.

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